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Montenegro - Sábado, 09 de Dezembro de 2017 - Hora:08:00

Aldana garante que vai voltar à Prefeitura

Prefeito que foi cassado em impeachment aguarda julgamento de recursos

Prefeito cassado nega irregularidades e disse que foi afastado por questões políticas

Aos 60 anos de idade, recém completados no último dia 13 de novembro e suando muito devido ao intenso calor, o ex-prefeito Luiz Américo Alves Aldana dispensou o tradicional terno e recebeu a reportagem em sua casa no centro de Montenegro. “É bom dizer que não estou me escondendo de ninguém”, enfatizou. Mas por questão de segurança, alegando que vem sofrendo intimidações e por temer pela integridade física dos familiares, Aldana pediu para que o endereço onde foi entrevistado não fosse divulgado.

A reportagem foi feita em conjunto com a Rádio América, que estará divulgando na próxima semana dentro da retrospectiva do ano, inclusive com imagens no facebook da emissora. Sentado no sofá da sala, antes do início da entrevista o ex-prefeito, que era mais conhecido como “Paraguaio”, relembrou sua carreira musical, os tempos de jogador de futebol e os estudos. Ele inclusive fez doutorado em Portugal e Cuba, além de cursos em outros países, sendo especialista em Direito Civil e Doutor em Ciências Sociais e Jurídicas. Também é tabelião titular no cartório da cidade de São Roque de Minas, tendo ficado em primeiro lugar no concurso em Minas Gerais.

Na política, foi duas vezes candidato a prefeito, uma pelo PSOL e outra pelo PSB. Na última, em 2016, foi eleito prefeito com 10.479 votos (30,7%), quando concorreram seis candidatos. Antes também chegou a ter sua candidatura impugnada para deputado federal. E foi vice-prefeito, assumindo a Prefeitura em maio de 2015 quando do impeachment do então prefeito Paulo Azeredo (PDT). Está fora do poder desde agosto deste ano, quando foi afastado pela Justiça em razão das investigações do Ministério Público na Operação Ibiaçá que apontaram fraudes em licitações na Prefeitura. No mês seguinte, em 14 de setembro, teve o seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores, no processo de impeachment, por 9 votos a 1.

Enquanto aguarda o julgamento de recursos, através de dois advogados, Aldana diz ter uma certeza: “vou voltar à Prefeitura para concluir meu trabalho”. E acredita que isso vá ocorrer no próximo ano, após ser comprovada a sua inocência na Justiça.

Por cerca de uma hora Aldana respondeu várias perguntas. Foi à primeira entrevista dele desde o impeachment. E explicou que não falou antes devido ao problema de saúde que o impediu inclusive de se defender na Câmara, tendo passado por procedimento cardíaco de cateterismo e angioplastia. Falou também que pretende retomar a carreira artística, em parceria com músicos de Montenegro e São Leopoldo, gravando músicas do Caribe.


A ENTREVISTA
Fato Novo: Após ser cassado num processo de impeachment, como está hoje o ex-prefeito?
Aldana: Estou retomando as minhas atividades profissionais até que se resolva esta questão do impeachment. O tempo passa e as coisas vão sendo colocadas no lugar. Agradeço aos que confiaram em mim. Tenho fé que estamos enfrentando uma questão política. Não pratiquei nenhum ato irregular que resultasse em prejuízo ao erário público. Lamento pela forma abrupta e sem razão. É preciso ter o esclarecimento. Não poderiam penalizar a população por inverdades lançadas contra nós.

Fato Novo: O que aconteceu que a sua administração foi interrompida? Tinham de fato irregularidades? O senhor não sabia? Tinham pessoas da sua confiança envolvidas em fraudes?
Aldana:
Algumas pessoas foram afastadas por mim mesmo. Mas não posso alegar que vinham praticando alguma irregularidade. Quando havia indícios, eu verificava se procedia através de sindicância. Tirei pessoas que ficaram contra mim e premeditaram minha queda. Tramaram a minha queda. Nossa defesa teve dificuldade no acesso ao processo. Na primeira vez que esteve na Prefeitura o Ministério Público disse que o prefeito não estava vinculado a isso. Fui afastado por um descumprimento de ordem judicial que não descumpri. Fiquei impedido de entrar em repartições públicas.


Fato Novo: O Ministério Público representou pela sua prisão, que não foi decretada pela Justiça. O senhor temeu pela sua prisão?
Aldana: Não tinha razão para a prisão. O Ministério Público tinha que fazer o que fez, mas desta forma. A Justiça já arquivou uma denúncia da área da saúde por não encontrar nenhum ilícito. Alegaram que eu pudesse prejudicar o andamento das investigações e que era conivente, mas o juiz não aceitou a prisão. Até agora não existe nada que comprove. Se existisse fraude passa por vinte pessoas. No processo da licitação do transporte escolar eu nem acompanhei porque estava em férias. O contrato não foi assinado por mim.


Fato Novo: O senhor já foi chamado para prestar depoimento na Justiça?
Aldana: Nós estávamos com dificuldades de acessar o projeto. Então não podia me manifestar. Apresentei-me espontaneamente em juízo para depor. Tenho que apresentar defesa.


Fato Novo: Foram encaminhados recursos?
Aldana: Sim. Existe um problema de competência. O Judiciário me afastou por 180 dias. E a Câmara me cassou. Agora de quem é a competência para julgar os recursos? Encaminhamos contestações ao afastamento e ao impeachment. Quem vai julgar?


Fato Novo: Com os recursos o senhor acredita que pode voltar a ser prefeito?
Aldana: Sim. O processo de impeachment foi completamente irregular. Foi premeditado. Agora terão as férias forenses. Depois, quando entrarem no mérito do que estamos pedindo, lá por fevereiro, deveremos voltar. Não praticamos nenhuma irregularidade.


Fato Novo: Se o senhor voltar, vai governar de forma diferente? Faria algo diferente?
Aldana: Voltarei da mesma forma que entrei. Trabalhando em benefício da população e não para interesses particulares.

Vereador não pode ser dono de secretaria. Estávamos com tudo programado, com 60% da equipe montada. Mas fizeram esta deslealdade com a população, que escolheu o seu prefeito. Não é a Câmara que escolhe o prefeito.


Fato Novo: O senhor se arrepende de alguma atitude ou das pessoas que escolheu para trabalhar ao seu lado?
Aldana: Não, de forma alguma.


Fato Novo: Teve alguma decepção?
Aldana: Sim. Dou credibilidade para as pessoas. Confiei cegamente nelas. Mas tramaram nas escuras nas escuras um golpe. Foi traição, deslealdade. Não posso falar tudo porque ainda está sub judice.


Fato Novo: Como está a sua saúde?
Aldana: Estou em tratamento, com medicação faz 90 dias. Fizemos 38 exames em onze dias. Estava com um problema cardíaco. Foi feito um cateterismo e angioplastia. Colocaram um stender no meu coração. O mais bonito é um grupo de senhoras que faz orações por mim. Podem ter fé. As pessoas me atacam na rua, perguntam quando vou voltar. Os montenegrinos devem ter o prefeito que escolheram.


Fato Novo: O senhor vai continuar em Montenegro?
Aldana: Tenho que ir a Santa Catarina e Minas Gerais. Vou reassumir como titular no cartório em Minas. Mas voltando a Prefeitura vou atuar 24 horas para a população. Sofri com perseguições e temo pela minha integridade física e de meus familiares. Temo pela minha vida. Foi muito agressiva a forma como me intimidaram. Jogaram pedras na casa onde eu estava.


Fato Novo: Como o senhor avalia o atual governo, do prefeito Kadu, que era o seu vice?
Aldana: O Kadu me conhece. Sabe com quem está tratando. Achei muito positivo que deu andamento à regularização fundiária. Lamentavelmente desfez um grupo de trabalho por questões políticas. Tínhamos que viver este momento doloroso. Tudo vai ser arquivado. E vai voltar à normalidade. Ainda temos muita coisa para fazer.

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