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Pelo Vale - Segunda-Feira, 11 de Julho de 2016 - Hora:10:00

Escutas revelam articulação para barrar a Operação Leite Compensado

Diálogos divulgados pelo MP podem agravar a situação de Clóvis Marcelo Roesler

Produtos das granjas Roesler e Campestre foram reprovados em exames laboratoriais /Ministério Público/Reprodução

Quando a comunidade de São Pedro da Serra e da região ainda tentava assimilar o impacto do escândalo envolvendo a suspeita de fraude nas produções de leite e derivados pelas granjas Roesler e Campestre, uma nova revelação feita pelo Ministério Público (MP) reforçou os sentimentos de perplexidade e revolta. Em conversas telefônicas, que tiveram a participação do empresário são-pedrense Clóvis Marcelo Roesler, estariam sendo planejadas ações para derrubar o secretário de Estado da Agricultura, Ernani Polo, e para interferir no trabalho do próprio MP.

Os contatos de Roesler teriam ocorrido com Oreno Ardêmio Heineck, diretor-executivo do Instituto Gaúcho do Leite (IGL), entidade na qual o empresário é secretário da mesa diretora, e com Alexandre da Cunha Rota, secretário da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios, entidade que presidiu por seis anos. Nas escutas, o descontentamento dos interlocutores com a conduta de Polo, por esse supostamente estar defendendo interesses de grandes empresas, fica evidente.

“... Ele é meio fraco em algumas coisas. Então, ele é direcionado pelos orientadores dele. Os orientadores dele são pessoal de campanha. Então, foca Farsul, o próprio pessoal das empresas que fornecem, que pagam, que dão dinheiro pra ele de campanha”, dispara Roesler. Outra escuta aponta para a tentativa de contato com o governo para, supostamente, interferir nas ações do MP. “Nós temos também que botar um pouco de dedo ali no Ministério Público. Olha, vocês estão protegendo o pessoal da inspeção, do Sispoa e eles em contrapartida, eles estão apoiando o pessoal das fraudes”, fala o empresário.

O secretário Ernani Polo, em entrevista ao Canal Rural, lamentou e repudiou o teor das gravações. “As ações desenvolvidas pela Secretaria de Agricultura estavam, possivelmente, dificultando ações de fraude e adulteração que eles estavam procedendo. Estamos trabalhando em sintonia e apoio com o Ministério Público”, declarou. “Eles pretendem com isso afastar aquelas autoridades e intimidar os órgãos que estão justamente trabalhando pela melhor qualidade do leite e dos produtos lácteos que são levados ao consumo”, disse à RBS TV o promotor Mauro Rockenbach, que, junto com o promotor Alcindo Bastos, vem conduzindo a Operação Leite Compensado.

Clóvis Marcelo Roesler – que também é presidente da CDL de Salvador do Sul e São Pedro da Serra -, o irmão César Moacir Roesler, e a esposa de César, Anete Maria Roesler, foram presos preventivamente pela Justiça de Montenegro, assim como os queijeiros que trabalham para a família, Antônio Germano Royer e Selvino Dietrich, em ação na última terça-feira. Após serem ouvidos na Delegacia de Polícia, foram encaminhados à Penitenciária Modulada do Pesqueiro.
A 11ª fase da Operação Leite Compensado e a quarta fase da Operação Queijo Compensado investigam a adulteração de produtos das granjas Roesler e Campestre. Conforme teste realizados pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), do Ministério da Agricultura, foram identificadas as presenças de água e amido de milho, para aumentar o volume do leite, e água oxigenada e ácido sórbico, para combater bactérias e fungos, em amostras de leite tipo C das marcas. Outra irregularidade é a venda de produtos das empresas fora dos limites de São Pedro da Serra, prática vedada desde o ano passado.

Seis veículos pertencentes às indústrias de laticínios foram apreendidos pela justiça. Ainda na terça, foi determinada a suspensão do exercício da função pública de um fiscal da prefeitura que é responsável pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

As granjas Roesler e Campestre tiveram suas produções paralisadas, imediatamente. Produtores que forneciam leite para as marcas estão sendo absorvidos por outras empresas.


Habeas Corpus será solicitado
Em rápida manifestação divulgada pelo portal G1, da Rede Globo, Clóvis Marcelo Roesler afirmou que a Laticínios Roesler é idônea e que “não se cometeu fraude em produtos de jeito nenhum”.

Responsável pela defesa dos acusados, o advogado Marcos Eberhardt disse ao Fato Novo, na manhã dessa sexta, estar ciente do conteúdo das investigações, mas que somente irá se manifestar sobre o caso após os depoimentos que deverão ser prestados ao Ministério Público na próxima semana. O mesmo vale em relação às gravações telefônicas divulgadas na quarta-feira pelo MP. Eberhardt deveria entrar, ainda ontem, com pedidos de habeas corpus para os cinco presos junto ao Tribunal de Justiça.

Participantes das conversas telefônicas gravadas pela justiça, Alexandre Rota informou à imprensa que está disponível para fazer esclarecimentos ao Ministério Público e que apoia as investigações e Oreno Heineck disse que procurará o promotor Mauro Rokenbach para uma conversa. Reconheceu a fala dele como infeliz e precipitada.


Leite estocado em escola
Durante as operações em São Pedro, na terça, o MP foi informado de que numa escola municipal situada na localidade de Barão Velho, interior de Barão, havia leite de cabra em pó estocado. No local, em uma das salas, foi localizada uma carga total de 8,6 toneladas do produto, parte dela vencida. O caso deverá ser investigado pela Promotoria de Justiça de Carlos Barbosa.

Em nota em sua página pessoal no Facebook, o prefeito de Barão, Jefferson Schuster Born “Biriba” alegou que o leite em pó pertence à cooperativa Coopermab, que havia solicitado o espaço para armazenamento temporário. A prefeitura, todavia, estipulou o prazo de 72 horas para a retirada do produto, sob pena de medida judicial.

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