OFERECIMENTO:
Montenegro - Sbado, 16 de Setembro de 2017 - Hora:08:00

Kadu Müller: “é momento de somar e não de dividir”

Novo prefeito quer recolocar Montenegro no caminho da prosperidade

Kadu pediu o apoio dos vereadores para o município retomar o desenvolvimento /Câmara de Vereadores

Após 17 horas de sessão, já era madrugada de quinta-feira quando o vice-prefeito eleito e agora prefeito efetivado chegou à Câmara de Vereadores para tomar posse. Com a cassação de Luiz Américo Alves Aldana (PSB) por 9 votos a 1, seu vice Carlos Eduardo Müller, o “Kadu” (Solidariedade) assume a responsabilidade de governar o município pelos próximos três anos e três meses. “A responsabilidade é muito grande para termos um novo momento. Vamos reverter este quadro para colocar Montenegro novamente no caminho da prosperidade”, declarou.

Kadu sabe que a situação financeira do maior município da região é bastante difícil. Desde que Aldana foi afastado pela Justiça devido às denúncias de irregularidades em licitações, faz um mês que Müller estava como prefeito interino. “A situação financeira não é favorável”, admitiu, com base no diagnóstico feito pelos secretários. Mas mesmo com os rumores, Kadu garante que não existe o risco de parcelamento dos salários dos funcionários municipais. Alertou, entretanto, que o município não dispõe de recursos para investimentos. “Temos que fazer ajustes para manter os compromissos em dia”, afirmou. Não descartou, inclusive, reajustes de tributos, como do IPTU. “Não será aumento de imposto, mas adequações”, explicou. Disse ainda que o novo plano de carreira, recentemente aprovado pela Câmara, terá que ser reavaliado. “Até para não penalizar o próprio servidor”, alegou, sobre o risco de inviabilizar e economia do município.

Para Kadu, a busca é pelo equilíbrio nas contas, com muito cuidado no manuseio do dinheiro público. Em razão das dificuldades, novamente o ano deverá fechar com déficit. Mas Müller preferiu não falar em números, pois projeções podem não se confirmar. “Não vamos medir esforços para melhorar a situação do município e atender melhor a população”, garantiu, acreditando que 2018 será um ano melhor.


Momento é de somar
Logo após fazer o juramento e ser empossado na Câmara de Vereadores, Carlos Eduardo Müller fez questão de cumprimentar um a um os dez vereadores e para todos falou a mesma frase: “é momento de somar e não de dividir”. É através da união de todos que o novo prefeito vai buscar superar as dificuldades e retomar o desenvolvimento do município. “A comunidade pode esperar muito trabalho, união e diálogo na recuperação a autoestima dos montenegrinos.

Nosso objetivo é que a comunidade retome a sua esperança”, foram a primeiras palavras de Kadu como prefeito efetivado, ainda na Câmara. Prometeu muito diálogo entre Prefeitura e vereadores. “Montenegro merece viver um novo tempo. Vamos ser incansáveis para isso”, completou.

Kadu não informou novas mudanças, como em secretarias e outros cargos. Mas não descartou que tenham alterações. “Na vida pública cada dia é um dia de mudança. Não existe rotina. Os ajustes todos serão feitos. Mas para isso terá muito diálogo, para não comprometer o trabalho e o resultado para a comunidade. Ainda estamos montando uma equipe de trabalho. O objetivo maior é estancar a sangria orçamentária do município, valorizando o servidor público. Temos até o final do ano para trabalhar este momento de reorganização para que em 2018 possamos dar um novo passo para Montenegro”, declarou, logo após a posse. E garantiu que com transparência vai apresentar um diagnóstico da atual situação do município. “Não será para achar culpados, mas para mostrar de forma clara e transparente como temos que caminhar daqui para frente. Vamos dar as mãos por um Montenegro melhor”, declarou.

Em maio de 2015 o então prefeito Paulo Azeredo (PDT) também foi cassado e na ocasião quem assumiu foi Aldana, que era o seu vice. Depois Aldana foi eleito tendo Kadu de vice. Esta situação de um município ter dois prefeitos cassados, por impeachment, em pouco mais de dois anos, virou destaque nos noticiários do Estado nesta semana.


Advogado de Aldana vai tentar reverter na Justiça
Eleito prefeito em outubro do ano passado, Luiz Américo Alves Aldana (PSB) não esteve presente na sessão que determinou a sua cassação. Se estivesse na Câmara, o próprio Aldana poderia se manifestar. Mas de acordo com o advogado de defesa, Vanir de Mattos, Luiz Américo se recupera de um procedimento cirúrgico devido a problemas cardiológicos e não pode se exaltar sob risco de agravar o seu quadro clínico. Coube a Vanir então tentar reverter a posição dos vereadores, que ele mesmo dizia parecia estar decidida com a forte tendência de cassação. Logo após a sessão iniciar, por volta de 8h40min de quarta-feira, o advogado pediu que fossem ouvidos os áudios dos depoimentos das testemunhas de defesa, o relatório da denúncia do pedido de impeachment, parecer da DPM, ata de uma sessão, gravação de manifestações do prefeito afastado e o relatório final onde o vereador Cristiano Braatz (PMDB) deu parecer favorável a cassação. Com isso a sessão se alongou bastante. Cada vereador ainda teve a oportunidade de se manifestar por até 15 minutos. E os advogados – de acusação e defesa, por até duas horas. Só então, quando já era madrugada de quinta-feira, começou a votação. E tinham que ser votados itens de cada uma das quatro denúncias de irregularidades em licitações do transporte escolar, asfaltamento de ruas do bairro Germano Henke e transporte coletivo, além das férias sem comunicar a Câmara.

Para o assistente de acusação Afonso Praça Baptista, Aldana deveria ter renunciado, entendendo que pouparia a Câmara e a comunidade de todo este desgaste. “O que ele fez por Montenegro é um exemplo do que não deve ser feito”, afirmou, sobre as irregularidades apontadas. Já o advogado de defesa Vanir de Mattos contestou as acusações, entendendo que não existe nenhuma prova da participação de Aldana em ilegalidades.

Na votação apenas o vereador Valdeci Castro (PSB) foi contra o impeachment. Os demais 9 vereadores foram favoráveis a cassação. E assim ocorreu o impeachment com os votos de: Cristiano Braatz (PMDB), Joel Kerber (PP), Felipe Kinn Menezes (PMDB), Erico Velten (PDT), Juarez da Silva (PTB), Neri de Melo Pena “Cabelo” (PTB), Talis Ferreira (PR), Rose Almeida (PSB) e Josi Paz (PSB).

Após a sessão, o advogado de defesa Vanir de Mattos reclamou que a decisão da cassação se confirmou como uma grande farsa. “Já se sabia o resultado. A decisão já estava tomada”, lamentou. “Vamos entrar na Justiça com uma medida no sentido de anular o processo de cassação do mandato. Temos inúmeros argumentos juntados ao longo do processo e ficará a critério do poder judiciário deliberar ou não sobre a validade”, declarou, dizendo que de imediato iria protocolar uma ação no Forum de Montenegro.

Com a cassação, Aldana não só perde o cargo de prefeito e o salário que mesmo afastado ainda tinha direito até a última quinta-feira, mas também os direitos políticos que o impedem de concorrer em eleições e ocupar cargos públicos por pelo menos oito anos. E na esfera criminal seguem as investigações quanto aos indícios de irregularidades apontadas pela Operação Ibiaçá. O Ministério Público já encaminhou uma denúncia quanto à licitação do transporte escolar e ainda apura sobre obras e outras suspeitas. Em caso de condenação, Aldana pode sofrer outras punições. Mas seus advogados já estão lhe defendendo também na área criminal, inclusive recorrendo quanto ao seu afastamento.

colunas e blogs

o Vale quer saber

Não há enquetes disponíveis para votação no momento


Escritrio Comercial S. S. do Ca:
Avenida Dr. Bruno Cassel, 179
Fone / Fax: (51) 3635-1900

Escritrio Comercial Montenegro:
Rua Oswaldo Aranha, Via Verde, 1467
Fone / Fax: (51) 3632-9680

Administrao:
Rua Fato Novo, N 11
Fone / Fax: (51) 3635-1428

Contato
Todos os Direitos Reservados | Jornal Fato Novo | Vale do Ca | RS | Por Nigma Agncia Digital