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Bom Princípio - Quarta-Feira, 06 de Dezembro de 2017 - Hora:08:00

Motociclista é sepultado no mesmo momento que seu filho nascia

Moto foi atingida por carro dirigido por motorista que fugiu do local

Gol colidiu com moto na RS 122 e motorista só se apresentou à Polícia na segunda-feira /Polícia Rodoviária

“Eusedio era uma pessoa amada por todos. Foi ele quem escolheu o nome do nosso filho, Sebastyan. O bebê era o maior sonho dele. Deixou tudo prontinho”. As palavras emocionadas são da atendente e recepcionista Ana Paula Lorscheiter, 29 anos, um dia após a despedida do marido Eusédio Chassot, 35 anos, vítima de acidente. “Era um homem batalhador. Agora tinha realizado o sonho de ter sua própria empresa e estava trabalhando na construção da nossa casa”, completa, em lágrimas, enquanto cuida do filho que nasceu às 4 da tarde de domingo, no mesmo horário que o seu pai era sepultado em Santa Teresinha.

Ana Paula lembra escreveu em sua página no facebook da internet uma homenagem ao marido. “Dizer que foi uma pessoa maravilhosa nesses 14 anos seria muito pouco. Nosso sonho era construir uma linda família. Passei por um tratamento para poder engravidar. Foi uma bênção quando soubemos do resultado positivo”, recordou.


Filho é xerox do pai
Antes de ir jogar na noite de sexta-feira, em São Vendelino, sua terra natal, Eusédio disse para a esposa que o último troféu do campeonato tinha sido para a mãe dele, que tinha falecido faz dois anos. E o próximo seria para o filho. O bebê estava programado para nascer na segunda-feira, dia 4. “Ele disse que se algo acontecesse antes de voltar do jogo era para ir logo para o hospital com o Samu. E assim foi. Consegui segurar nosso filho no ventre até a tarde de domingo. Não era o que tínhamos planejado, mas ele nos deixou com o maior troféu que um campeonato pode oferecer. E vou erguer este troféu em todo passo que eu der na minha caminhada”, declarou Ana Paula, em homenagem ao eterno amor, tendo nos braços o pequeno Sebastyan. “Se estou sendo forte eu devo ao carinho de todos. Quero agradecer a cada um pelo conforto nesse momento tão difícil. Irei proteger nosso tesouro em todos os cantos desse mundo. Sei que mesmo de longe, papai vai nos ajudar e enviar muitas forças. Nosso filho é o xerox do pai e se tornará também um grande jogador de futebol. O papai vai sentir orgulho lá de cima de você meu filho”, completou, ao postar as fotos do bebê.

Muitas foram às homenagens a Eusédio. Ele foi lembrado não só pelos colegas do time do Esperança, onde atuou no futsal na sexta de noite, mas também das outras equipes, além dos familiares e o incontável número de amigos. “Mesmo com toda a rivalidade em quadra sempre fomos amigos. A partir de agora vai defender um time lá no céu”, homenagearam os jogadores do time do Esporte Clube 8 às 9. Além de atuar nos veteranos do Esperança, onde na sexta classificou o time para a final, Eusédio também era tesoureiro da entidade e tinha grande atuação na comunidade, onde era muito estimado e respeitado.

Ana Paula lembra o quanto o marido era trabalhador. Trabalhava todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, para poder dar o melhor para a família e o filho que estava chegando. Além da construção da própria casa e do plantio de acácia, trabalhou 23 anos na empresa de Marcos Assmann como mestre de obras. Agora tinha realizado o sonho de ter a própria empreiteira e estava trabalhando em obras de reforma e construção de um parque de captação de energia solar no restaurante Di Variani no Caí.

Natural de Morro Carrard, onde ocorreu o velório, Eusédio e Ana Paula moravam no Morro Tico-Tico faz três anos. “Estamos terminando nossa casa”, diz ela. A missa de corpo presente e o sepultamento ocorreram em Santa Teresinha, com grande participação de familiares a amigos.


O acidente
A colisão do automóvel com a moto aconteceu por volta de 3 horas da madrugada de sábado, 2 de dezembro, na altura do quilômetro 27 da RS 122, próximo da boate Roque Santeiro e da entrada de Santa Teresinha.

Conforme a Polícia Rodoviária Estadual, a moto trafegava pela rodovia no sentido São Vendelino/Bom Princípio quando teve a frente cortada pelo automóvel que fazia o retorno. Segundo os policiais rodoviários, após a colisão a moto pegou fogo e o condutor foi encaminhado para a UPA, mas não resistiu e veio a falecer. Já o motorista do Gol, que foi parar sobre o canteiro, abandonou o veículo e fugiu a pé para o mato. Ele foi identificado porque deixou os documentos no veículo.

Tanto o carro como a moto têm placas de São Vendelino.

O acidente causou grande comoção e revolta, principalmente porque o motorista do Gol fugiu do local sem prestar socorro.

E com isso houve a suspeita de que estivesse embriagado. Ele se apresentou na Delegacia de Polícia de Bom Princípio na segunda-feira. Acompanhado de uma advogada, alegou que fugiu do local do acidente porque ficou com medo da reação de populares. Disse ainda que não viu a motocicleta, só percebendo quando ouviu o estouro. Conforme o delegado Marcos Eduardo Pepe, garantiu que não ingeriu bebida alcoólica. Como não foi preso em flagrante, segundo o delegado vai responder o processo em liberdade, mas será indiciado por homicídio culposo, com o agravante de fuga do local e omissão de socorro. O delegado Pepe não descarta o indiciamento por homicídio doloso, que é mais grave e tem maior pena, caso tenha alguma prova que comprove a embriaguez. Ainda deverá ser julgado. O nome do motorista do Gol não foi divulgado pela Polícia. Conforme a Polícia Rodoviária Estadual, ele tem 29 anos e mora em São Vendelino.

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