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Montenegro - Quarta-Feira, 20 de Setembro de 2017 - Hora:08:00

Organização Criminosa: “Vai ser 500 pau a obra que tu faz com 200”

Vereadores choraram ao ver denúncias de corrupção na Prefeitura

Diálogo aponta que reforma da Biblioteca poderia ser feita por R$ 200 mil, mas iriam cobrar R$ 500 mil /Guilherme Baptista/FN

São mais de 1.200 páginas da investigação da Operação Ibiaçá. Em onze volumes, com seis anexos, o material proveniente da apuração do Ministério Público de Contas e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAEGO) foi liberado pela Câmara de Vereadores na última segunda-feira. De acordo como presidente da Câmara, vereador Neri de Mello Pena, o “Cabelo” (PTB), foi encaminhado um pedido para a Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, que autorizou a liberação do material.

Após a votação do impeachment, onde na última quinta-feira os vereadores decidiram pela cassação do prefeito Luiz Américo Alves Aldana (PSB), agora o material da investigação, incluindo diálogos por telefone entre investigados, foi liberado para a imprensa. E se as transcrições de interceptações telefônicas envolvendo a licitação do transporte escolar, que tinham sido divulgadas pela OAB no segundo pedido de impeachment já tinham repercutido, agora o conteúdo é ainda mais “bombástico”. As conversas comprovam negociações ilícitas que ocorriam entre servidores em cargos de confiança, como secretários municipais e diretores, com empresários e donos de empreiteiras.


“Dá pra ficar rico”
Um dos diálogos que chama a atenção, de 16 de outubro de 2015, entre o então secretário municipal de meio ambiente e um empreiteiro, trata da obra da Biblioteca Pública:
Secretário: Bá, cara, essa da biblioteca aí é até vergonhoso o preço que eles botam, que eles pagam, do que pra fazer, vou dizer pra ti, vai ser 500 pau a obra que tu faz com 200, impressionante, dá pra ficar rico, dá pra ficar rico...tem um monte, colégio, creche, reforma, tem um monte, isso tem a fuzel.

Empresário: Aham (risos) acho que vamos ter que fazer um esquema aí eu acho, pegar esse serviço aí (risos).

Conforme a investigação, neste diálogo ficou claro a negociação entre secretário e investigado visando fraudar a licitação, neste caso da obra de reforma e ampliação da Biblioteca Pública. O prédio está abandonado e a obra não teve andamento porque a empresa que venceu a licitação está entre as investigadas pelo Ministério Público, estando impedida de receber da Prefeitura. Uma placa na frente da Biblioteca, no Centro Cultural, informa que o investimento previsto na obra era de R$ 444 mil.


Vereadores choraram
Durante suas manifestações na sessão da Câmara que cassou o ex-prefeito Aldana, alguns vereadores que leram todo o material da investigação revelaram a surpresa que tiveram com as transcrições dos diálogos telefônicos envolvendo os investigados. “Eu e a vereadora Rose Almeida (PSB) choramos. Dá uma revolta muito grande”, afirmou o vereador Erico Velten (PDT), que presidiu a comissão processante. “Eu tinha vontade de vomitar. Deu muita raiva por essa safadeza”, completou o vereador Cristiano Braatz (PMDB), que foi o relator da comissão. Eles desviavam e ainda riam e debochavam”, protesta. “Tem posto de saúde fechado, falta fralda, remédio, tinta para pintar faixa de segurança. E eles faziam isso”, revolta-se Erico.

As escutas telefônicas envolvem cerca de dez pessoas investigadas pela Operação Ibiaçá. Entre eles, ex-secretário e ex-diretores que já foram afastados da Prefeitura. Tem inclusive diálogos do ex-prefeito Aldana, que inicialmente foi afastado por 180 dias pela Justiça e depois cassado pelos vereadores. Também empresários, que estão impedidos de receber da Prefeitura e de firmar novos contratos. E um dos empreiteiros inclusive está preso.

Os diálogos comprovam o direcionamento das licitações, superfaturamento e outras negociações. E desta vez não só envolvendo a licitação do transporte escolar, mas também de obras como da biblioteca, escolas, loteamentos, talude do cais do porto, ginásio, entre outras. Isso fazia com que praticamente sempre as mesmas empresas vencessem as licitações.

O vereador Erico lembra o caso da quadra de esporte da escola da localidade de Fortaleza. “Quanto tempo os alunos estão esperando e até hoje não saiu do papel por briga entre empreiteiras”, lamentou.


“Semo tudo corrupto”
Outro diálogo, envolvendo o mesmo secretário municipal que estava como titular do Meio Ambiente, e um outro empresário, também chama a atenção. De acordo com a investigação, o então secretário chega a pedir terrenos pra encobrir um serviço ilícito, pois “são todos corruptos”.

Secretário: Temo que arrumar no mínimo uns dez terrenos, já que semo tudo corrupto.

Empresário: É, é tudo uma tropa de safado.

Conforme apurou a investigação do Ministério Público, nessa conversa torna-se cristalino que o então secretário ajusta-se ao empresário para cometimento de ilícitos ambientais em loteamento de grande monta e, como remuneração sua e das pessoas que com ele se associam, quer cobrar em terrenos, a fim de obter lucro.


Investigações continuam
Mesmo com a cassação do prefeito, a investigação na Justiça continua para apurar os indícios de irregularidades na Prefeitura. Caso as denúncias sejam comprovadas, os acusados deverão ser punidos criminalmente.

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