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Montenegro - Sábado, 27 de Janeiro de 2018 - Hora:08:00

Paulo Petry faz cirurgia e quer concluir os 5 mil quilômetros de bicicleta

Montenegrino foi atingido por carro quando pedalava até o “fim do mundo”

/Guilherme Baptista/FN

Antes de ser submetido a uma cirurgia no ombro, devido ao acidente onde foi atingido por um automóvel na Argentina, Paulo Renato Petry já antecipava: “é certo que vou voltar para concluir o percurso. Não sei quando. Talvez daqui dois anos. Mas eu vou”, garantiu, enquanto usava uma tipóia devido ao rompimento dos ligamentos do ombro direito.

A cirurgia reparadora aconteceu ontem, sexta-feira, em Porto Alegre. E Paulinho agora está em recuperação. Mas não vê à hora de voltar a pedalar. “É claro que estou chateado por não chegar a Ushuaia. Mas pedalei por 1.350 quilômetros. A viagem valeu. E sobrevivi ao acidente”, declara, mostrando outros ferimentos, como escoriações pelo corpo e um corte que “rendeu” 6 pontos na cabeça.

Paulinho diz que a viagem de bicicleta estava ocorrendo dentro do previsto. A idéia era pedalar cerca de 90 quilômetros por dia para percorrer os quase 5 mil quilômetros entre Montenegro e Ushuaia – a cidade argentina que é a capital da Terra do Fogo e cidade mais austral do planeta, por isso também chamada de “fim do mundo”, já que fica próxima ao Pólo Sul. Paulo Petry, que tem 51 anos e trabalha no Poder Judiciário, conta que tinha combinado a aventura com mais dois colegas, mas devido aos compromissos eles acabaram desistindo. Como já tinha a experiência de outras pedaladas longas, acabou indo sozinho mesmo. Em 2006 Paulinho pedalou 2.170 quilômetros até Brasília, em 2.010 foram 2.400 quilômetros até o Chile e em 2.014 mais 2.150 quilômetros até o Uruguai. Portanto, o presidente da Associação Ciclística Montenegrina (Aciclomont) já tem experiência nestas aventuras.


“O pior naufrágio é não partir”
Paulo Renato Petry partiu no dia 26 de dezembro. Já tinha passado pelo Uruguai e chegou à Argentina após pedalar 1.350 quilômetros. Enfrentou o vento, cachorros, estado precário das rodovias, relevo acidentado e outros desafios. Mas não contava com um imprevisto: um acidente que o impediu de concluir a aventura.

No 17º dia de pedalada, Paulinho saiu às 7h da manhã de Las Flores para percorrer 120 quilômetros até Azul, com a expectativa de almoçar em Cachari, no meio do caminho. Conforme narrou em seu blog “viagem a ushuaia de bicicleta” e no seu facebook, o dia estava quente e abafado, mesmo com chuvisco e vento.

Numa das paradas ainda encontrou um tatu ao lado da pista. Chegou a tirar foto com ele. Em seguida almoçou e descansou num parque municipal. Às 15h retomou a pedalada para os outros 60 quilômetros até Azul, onde pernoitaria.

“Aí apaguei”, diz. “Só lembro de ter montado na bicicleta e mais nada”, conta. Paulinho só recorda de ter acordado no hospital, duas horas depois. Foi onde lhe contaram que estava atravessando uma ponte (galeria) quando um carro, ao passar por um caminhão, acabou batendo na sua bicicleta. “Fui arremessado para frente e caí no asfalto. A bicicleta caiu cerca de quatro metros. Eu, por sorte, caí no acostamento”, conta. Lamenta que o motorista do carro não parou. Quem o socorreu foi o condutor do caminhão, que chamou a Polícia e foi levado de ambulância ao hospital.

O montenegrino ficou dois dias internado. “Fiquei com uma confusão mental devido à batida na cabeça”, diz. Foi submetido a exames, inclusive tomografia. A esposa Mariloy, que estava em férias em Salvador (Bahia) na casa da filha Rafaela, foi então com ela para a Argentina. E os três retornaram de avião.

Antes do retorno, Paulo Petry ainda foi ver como ficou a bicicleta. “Entortou guidão, canote do selim e até o garfo dianteiro”, descreve. “Levei a bicicleta a uma pequena oficina e consegui resgatar os freios hidráulicos, os câmbios, pedivela e o selim. Tudo que separei coube numa caixa de sapatos”, completa. Lembra a estima que tinha pela bicicleta, que o acompanhou em outras aventuras. Já da bagagem, com 178 itens e um total de 43 quilos, diz que quebraram os vidros de remédios, amassaram panelas e estouraram as garrafas de água que molharam suas roupas. Ainda salvou binóculo, netbook, GPS, câmara e demais equipamentos eletrônicos. “Deixei o quadro para o dono da oficina descartar num ferro-velho e fui de carro ver o local do acidente. Só aí viu que o mais importante é que tinha sobrevivido. “Ainda bem que me desvencilhei da bike e fiquei estendido no acostamento. Se tivesse caído na pista ou despencado do barranco...”, contou, aliviado, ao ver o buracão de 4 metros. “Doamos os alimentos que sobraram e os acessórios. E voamos de volta ao Brasil”, completa.

Mesmo chateado por não ter concluído o percurso numa viagem de bicicleta para o qual se preparou por dois anos, Paulinho diz que não pode lamentar. “Certo que completarei a viagem. O pior naufrágio e não partir”, conclui, lembrando uma frase do navegador brasileiro Amyr Klink.

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