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Pelo Vale - Segunda-Feira, 04 de Junho de 2018 - Hora:08:00

Produtores contabilizam prejuízo causado por desabastecimento

Prefeitos irão se reunir para avaliar consequências da paralisação dos caminhoneiros

Depois de nove dias, criadores voltaram a receber ração, mas produção está comprometida | Reprodução/FN

Uma estimativa da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) projeta que as perdas somente no setor primário já chegam a R$ 6,6 bilhões no país em decorrência da paralisação dos caminhoneiros. No Vale do Caí, que tem na produção primária o principal alicerce de sua economia, embora sem dados oficiais divulgados, as perdas também deverão ser históricas.

Uma reunião de prefeitos da região, no próximo dia 8, deverá avaliar as consequências e discutir as medidas a serem adotadas para tentar amenizar os efeitos das perdas em arrecadação. O cenário é de total preocupação.
“Já na reunião deveremos ter alguns números em mãos, um saldo do prejuízo. A prioridade, agora, é que as coisas voltem à normalidade. O reflexos da paralisação devem vir logo e claro que os prefeitos vão ter que replanejar as atividades”, afirma o presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc) e prefeito de Maratá, Fernando Schrammel.
O desabastecimento de insumos e produtos trará reflexos em, praticamente, todos os setores. Mesmo que, gradativamente, supermercados e outros estabelecimentos comerciais voltem a ter suas prateleiras abastecidas, a alta de preços, feita a comparação com o período anterior à paralisação, deve prosseguir pelas próximas semanas. Isso não somente pela oferta/procura, mas também porque as indústrias terão que cobrir suas perdas repassando a conta para os consumidores.

“As consequências mais sérias ainda serão sentidas. É muito provável que ocorra falta de alguns alimentos, porque o planejamento, o ciclo na produção foi perdido. Vai levar um bom tempo até que tudo volte ao normal”, analisa a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Salvador do Sul, Josiane Deuner.

O criador de aves e gado leiteiro Edson Weschenfelder, durante manifestação realizada na Praça de Salvador do Sul, na tarde da quarta-feira, compartilhou uma preocupação comum a muitos produtores primários: as dificuldades em conseguir honrar os financiamentos bancários. “Já não há uma grande sobra e agora vemos que a produção vai cair pela falta de ração para os animais, isso sem contar o leite, onde já ganhamos pouco, mas que tivemos que jogar fora ou mesmo dar para os porcos. Não sei como vou pagar as contas”, lamentou, em lágrimas, diante de um público formado por estudantes, comerciantes, outros produtores, políticos e também caminhoneiros, que não chegaram a fazer uso da palavra. Weschenfelder calcula uma queda de pelo menos 22% na produção de ovos em seus aviários. “Foi de chorar ver os animais se comerem vivos por falta de comida”, acrescentou.

Diversas avícolas e produtores integrados acabaram doando animais na região por falta de ração. Só no caso da Naturovos foram 150 mil galinhas repassadas em suas unidades, conforme o Fato Novo destacou em sua edição anterior.

Produtores rurais respaldaram o protesto dos caminhoneiros, especialmente, em relação aos questionamentos quanto a política de reajustes de preços de combustíveis adotada pela Petrobras. Contudo, lamentaram que em diversos casos foi buscado um entendimento para a liberação dos caminhões que transportavam ração e proteína animal nos pontos de bloqueio, mas sem anuência por parte de alguns dos manifestantes. Os caminhoneiros, por sua vez, criticaram a baixa adesão de outras classes à mobilização, mesmo que todos sintam os reflexos da alta dos combustíveis.

Relatos de ameaças e intimidações a profissionais das estradas que desejavam seguir trabalhando também levaram o movimento a perder apoio popular, até que, no final da tarde da quarta, praticamente, já não havia mais pontos de bloqueio nas rodovias da região.

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