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Montenegro - Sábado, 07 de Outubro de 2017 - Hora:08:00

Sem nenhum dinheiro para investir

Déficit da Prefeitura em 2017 deverá ser de R$ 20 milhões

Mesmo com dificuldades financeiras, prefeito Kadu garante que salários e fornecedores serão pagos em dia /ACOM/Câmara

Quando Carlos Eduardo Müller, o “Kadu” (Solidariedade) assumiu a Prefeitura na madrugada de 14 de setembro após o impeachment de Luiz Américo Alves Aldana (PSB), o novo prefeito já sabia das dificuldades que teria pela frente. E uma das principais seria a falta de dinheiro. Mesmo sem ainda saber ao certo o tamanho do rombo nos cofres públicos, garantiu que iria buscar honrar os compromissos, incluindo pagar os salários em dia. Mas alertou que dificilmente teria recursos para investimentos e que seriam necessários ajustes para reduzir as despesas da máquina pública.

Kadu ainda não tinha uma idéia de quanto se projetava o déficit para este ano. O déficit é quando o valor das despesas de um governo é maior que a sua arrecadação. O novo prefeito, logo que assumiu, preferiu não falar em números, para não criar divergências. Durante o período eleitoral, no ano passado, o então governo garantia que havia equilíbrio nas contas.

Depois, entretanto, chegou a se anunciar que o déficit poderia chegar a R$ 50 milhões. Mais tarde se falou em 36 e 16 milhões de reais. Com a crise, os salários dos funcionários, no final do ano, chegaram a ser parcelados.

Na última semana o prefeito Kadu confirmou que neste ano o déficit está projetado em torno de R$ 20 milhões. “É um número estimado que temos para até o final do ano e estamos trabalhando para ter um impacto menor. Reduzimos alguma coisa na folha de pagamento e estamos trabalhando com outras ações”, declarou o prefeito. Entre as medidas estão contenções de gastos com luz, telefone e combustível. Foi proposta a adoção de turno único em alguns setores como das máquinas, justamente para reduzir custos com deslocamento do maquinário. O expediente na Prefeitura deverá funcionar normalmente no verão.


Refinanciamento aprovado
Uma das ações que a Prefeitura está propondo é de buscar captar recursos através de cobranças da dívida ativa. Conforme o secretário municipal da fazenda, Nestor Bernardes, chega a cerca de R$ 89 milhões o valor total que a Prefeitura tem a receber de devedores. Por isso foi encaminhado para a Câmara de Vereadores um projeto de refinanciamento (Refis), para pessoas físicas e jurídicas, oportunizando quitar débitos com o município como de IPTU e ISSQN. O projeto foi aprovado na última quinta-feira pelos vereadores e nos próximos dias os contribuintes em atraso já poderão refinanciar os seus débitos com o município. Entre as vantagens está a isenção de multas e desconto de juros. A expectativa é de arrecadar cerca de R$ 6 milhões.


Honrar compromissos
“Vamos tentar virar o ano com um déficit menor”, espera o prefeito Kadu. Mesmo com a situação difícil, o prefeito garante que não existe risco de atrasar salários e pagamentos de fornecedores. “Vamos atrás de valores que estão em aberto e fazer ações internas de redução de despesas para garantir os compromissos e maior tranqüilidade”, cita. Uma boa notícia é de que o comprometimento com a folha do pagamento, em relação ao orçamento, vem diminuindo. Segundo o secretário da fazenda está atualmente em 50,9%, depois de ter chegado ao preocupante índice de 54%.

Através das audiências da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), foi mostrado que não só neste ano, mas também em 2018 não terá dinheiro para novos investimentos. “A comunidade vai ter que ter muita paciência. Vamos trabalhar com transparência. Precisamos de uma reorganização. Não vamos deixar de atender a saúde, a educação, as melhorias de infra-estrutura necessárias. Mas não teremos novos investimentos no município”, declarou Kadu. Para complicar ainda mais, a Prefeitura está tendo gastos inesperados como com o temporal do último domingo, que causou muitos estragos, obrigando o prefeito a decretar situação de emergência. Foram cerca de 500 casas destelhadas, além de quedas de fios, postes e árvores, num prejuízo estimado em torno de R$ 12 milhões. Mesmo que o Estado ajude com lona e possivelmente telhas, o município tem procurado ajudar e arrumar o que foi danificado.

Quanto às obras que estão paradas, como de biblioteca, teatro do Centro Cultural, escolas e das pavimentações de ruas, por estar sob investigação do Ministério Público devido às suspeitas de irregularidades no governo anterior, Carlos Eduardo Müller diz que estão sob análise da Procuradoria Geral do Município (PGM). “Vamos ver o que podemos fazer. Suspensão, cancelamento de contrato. Vamos ver que caminho para não ter um prejuízo ainda maior com as obras que começaram e não foram concluídas”, afirmou.


Queda no ranking
A economia vive um período de estagnação. Prova disso é de que o orçamento do município, nos três últimos anos, é praticamente igual, girando em torno dos R$ 165 milhões. “Isso mostra que não houve crescimento”, analisa Nestor Bernardes, com a experiência de 40 anos de vida pública, incluindo secretário da fazenda de Sapucaia do Sul e prefeito de Capela de Santana. E Montenegro vem caindo no ranking de retorno de ICMS. Chegou a ocupar a 19ª posição até o ano passado, mas com o atual índice em 2018 vai figurar no 23º lugar. “Tivemos uma queda de 5%, o que representa cerca de R$ 3 milhões”, lamenta Nestor. “Mas a economia está se recuperando”, completa, otimista, admitindo que o próximo ano será também de dificuldades, mas com boas expectativas para 2019.


Boa relação com os vereadores
Em questão de dois anos, Montenegro teve dois prefeitos cassados por impeachment em processos que transcorreram na Câmara de Vereadores. Assim foi com Paulo Azeredo (PDT) em 2015 e agora com Aldana em 2017. Ambos os prefeitos afastados não tinham uma boa relação com o legislativo. Esta questão política é uma das preocupações de Kadu, que vem procurando uma aproximação com os vereadores.

Desde quando assumiu, Kadu fez questão de pedir o apoio dos vereadores. Sempre que convidado pela Câmara, o prefeito tem procurado comparecer ou enviar representantes nas reuniões. Isso tem ocorrido inclusive nos encontros do Câmara vai aos bairros e ao interior. “Pela primeira vez a Prefeitura está presente”, elogiou a vereadora Josi Paz (PSB), durante a reunião da última semana no bairro Senai. Também foram acertadas reuniões semanais entre o Executivo e o Legislativo, o que já iniciou na semana passada e voltou a ocorrer na última quinta-feira. Lembrando que como atualmente não tem vice-prefeito, na ausência do prefeito assume o presidente da Câmara. A relação está tão boa que o prefeito já está até jogando no time de futebol dos vereadores. Quarta-feira da semana passsada Kadu foi o atacante na equipe que jogou no Sesi contra um combinado da imprensa e amigos do Olimpo. No ataque Kadu estava ao lado das vereadoras Josi Paz e Kellen Mattos, mais a companhia de Talis Ferreira, Erico Velten, Felipe Menezes e Joerl Kerber, enquanto o presidente Neri Pena (Cabelo) estava na torcida . “Vamos manter esta boa relação com os vereadores, com um alinhamento entre as partes. O resultado tem que ser bom para a comunidade. No futebol ainda estou fora de ritmo, mas consegui trocar alguns passes com os vereadores. É importante este entrosamento”, concluiu.

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