OFERECIMENTO:
Montenegro - Quarta-Feira, 04 de Outubro de 2017 - Hora:08:00

Situação de emergência: Temporal deixa mais de 500 casas destelhadas

Falta de luz e de água agravaram a situação

Casas de vários bairros ficaram destelhadas / Guilherme Baptista/FN

O vendaval do início da noite do último domingo deixou um rastro de destruição pela cidade e bairros. Nunca tinha se visto nada parecido na maior cidade do Vale do Caí. Para todos os lados eram casas destelhadas, árvores, fios e postes caídos.

Pessoas em pânico tentando se abrigar em algum lugar seguro enquanto o vento alcançava cerca de 100 km/h. Virou um cenário de guerra, tamanha foi à devastação. E ao mesmo instante um grande incêndio destruía uma loja no centro da cidade, com o risco de se alastrar para outros prédios.


Incêndio em loja do centro
Montenegro foi à cidade do Estado mais atingida pelo temporal de domingo. No centro o que inicialmente chamou a atenção foi o grande incêndio na loja Oba Oba Festas, situada na Rua Ramiro Barcelos. Durante o vendaval foi ouvido o estouro do transformador próximo e a suspeita é de que faíscas possam ter iniciado o sinistro. Rapidamente o fogo tomou conta do interior da loja, destruindo todos os brinquedos e materiais de decoração do estabelecimento que funcionava há dois anos. Populares, com baldes, extintores e mangueiras, tentaram apagar as chamas, mas o fogo era muito intenso. Os bombeiros demoraram porque estavam atendendo outras ocorrências decorrentes do temporal. Quando os bombeiros chegaram, com dois caminhões, conseguiram conter as chamas.

Conforme os proprietários, ainda é aguardada a perícia para verificar se a estrutura do prédio, que é alugado, ficou comprometida. Ainda não se tem estimativa do prejuízo, mas o seguro deverá ser acionado para cobrir os danos. Os proprietários agradecem a solidariedade dos que combateram as chamas. A idéia dos donos é reabrir a loja, mas ainda não existe previsão para isso. Lojas vizinhas, como Sensação e Rainha das Noivas, estavam fechadas ontem para verificação de possíveis danos.

Além do incêndio, em razão do vento forte vários fios caíram no centro, assim como prédios ficaram destelhados, placas entortaram ou se desprenderam. Também fachadas de estabelecimentos ficaram danificadas. Impressionante era a destruição na Rua Ramiro Barcelos – a principal da cidade, que chegou a ficar fechada no início da semana para consertos de energia, combate ao fogo e outros reparos.

A destruição também chamava a atenção na Praça Rui Barbosa, do centro. A força do vento arrancou com raiz e tudo árvores centenárias. Junto a praça, a porta principal do clube Riograndense, teve seus vidros quebrados pela pressão do vento. Para todos os lados o que se via eram estragos. E além disso, a maior parte do centro e da cidade estava sem luz.

A falta de energia nas bombas da estação da Corsan também ocasionou falta de água na maior parte dos bairros.


Dezenas de casas destelhadas
Se no centro de Montenegro o cenário era de guerra, em alguns bairros a situação foi ainda pior. Dezenas de casas e prédios ficaram totalmente ou parcialmente destelhados em bairros como Senai, Aeroclube, Estação, Germano Henke, Industrial, Municipal, entre outros. “A minha casa e do meu irmão arrancou todo o telhado. Passou um furacão. Coisa mais feia. Molhou tudo dentro de casa. Não dá para aproveitar nada”, lamentou Telvo Vargas, morador da Avenida Ivan Zimmer, do bairro Industrial.

Na Rua dos Imigrantes, dos antigos trilhos do bairro Senai, várias casas também ficaram destelhadas. “O vento levou todo o telhado. Era muito forte. Não tinha o que fazer. Tentamos nos proteger. Dos móveis e eletrodomésticos não sobrou nada. Molhou tudo. Parte do nosso telhado ainda caiu sobre o da casa do vizinho, atravessando as telhas. Foi apavorante.

O importante é que ninguém se feriu”, disse Renato Albano, enquanto tentava secar o que restou dentro da moradia de dois pisos. Outro morador próximo, Luiz, estava trepado no telhado, também totalmente destruído, retirando as telhas quebradas.

Ainda na segunda-feira o prefeito Carlos Eduardo Müller (Kadu) decretou situação de emergência. A Defesa Civil do Estado esteve sobrevoando Montenegro para verificar os estragos e no mesmo dia liberou 700 metros de lona para distribuir para famílias de baixa renda que foram atingidas. A distribuição começou pelos bairros Estação e Aeroclube. “A quantidade de lona não será suficiente para atender a todos. Estamos priorizando os mais necessitados”, declarou o coordenador da Defesa Civil, Marcelo Silva. Ele ressaltou que a comunidade também pode ajudar com doações de lonas e telhas, encaminhando para a sede da Defesa Civil, no Parque Centenário. Já quem necessitar de lona deve entrar em contato com a Defesa Civil no Centenário ou pelo telefone 153. Foi pedido ao Estado mais lonas e também telhas para distribuir aos atingidos. “Caiu uma parede e o telhado. Estávamos entre onze pessoas em casa, inclusive seis crianças. Ainda bem que ninguém ficou ferido”, disse uma moradora do bairro Aeroclube, Elaine, enquanto recebia lona da Defesa Civil na manhã de ontem.”Saí correndo com minha filha de 6 meses e o guri de 4 anos enquanto voava tudo”, conta uma vizinha, Carine.

O bairro Aeroclube ainda estava sem luz ontem, já que vários postes caíram ou entortaram com a força do vento.

Além da falta de luz e de água, e dificuldades de telefonia, os moradores enfrentaram dificuldades para comprar telhas.

Filas se formaram nos estabelecimentos que ainda tinham telhas para vender, mas logo os estoques terminaram. Um morador do bairro Aeroclube, que teve a casa totalmente destelhada, diz que teve que comprar telhas no Caí porque não encontrou mais em nenhum lugar de Montenegro.


Micro explosão

Para o observador climático montenegrino Daimar Korndörfer Coelho, com base em sua experiência e contato com especialistas, não foi um tornado ou furacão que atingiu Montenegro. O problema é que a pressão atmosférica estava muito baixa e encontrou uma poderosa frente fria. “O provável fenômeno que atingiu Montenegro foi um downburst ou micro explosão. Em vários pontos da cidade o vento ultrapassou os 100 Km/h”, afirma. Desde 24 de setembro Daimar já alertava, através das redes sociais, sobre o risco de tempestade.

OFERECIMENTO:

colunas e blogs

o Vale quer saber

Não há enquetes disponíveis para votação no momento


Escritrio Comercial S. S. do Ca:
Avenida Dr. Bruno Cassel, 179
Fone / Fax: (51) 3635-1900

Escritrio Comercial Montenegro:
Rua Oswaldo Aranha, Via Verde, 1467
Fone / Fax: (51) 3632-9680

Administrao:
Rua Fato Novo, N 11
Fone / Fax: (51) 3635-1428

Contato
Todos os Direitos Reservados | Jornal Fato Novo | Vale do Ca | RS | Por Nigma Agncia Digital