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Montenegro - Sbado, 07 de Julho de 2018 - Hora:08:00

Usina de biogás terá investimento de R$ 100 milhões

Resíduos orgânicos vão virar combustível a partir de 2020

Governo do Estado e empresa JMalucelli já assinaram protocolo de intenções para a instalação da usina / Karine Viana/Palácio Piratini

Transformar resíduos de origem animal ou vegetal em combustível e energia. O projeto é antigo e já foi bastante discutido como o mais adequado para o aproveitamento do lixo orgânico, que muitas vezes polui o solo, arroios e rios, em gás para veículos e energia elétrica. Tantas vezes se lutou pela instalação de biodigestores. Os municípios de Harmonia e Tupandi, por exemplo, se uniram nesta luta atrás de investidores, já que são grandes produtores de frangos e suínos, o que gera dejetos dos animais que podem ser aproveitados. Recentemente o prefeito de Harmonia, Lico Fink, esteve na Holanda, apresentando o projeto do biodigestor visando obter investidores.

A Ecocitrus – Cooperativa dos citricultores ecológicos do Vale do Caí, com sede em Montenegro, desde 2013 já produz biogás em sua usina de compostagem na localidade de Passo da Serra. Em torno de vinte veículos dos associados da cooperativa e também de parceiros como a Naturovos e a Univates são abastecidos com o GNVerde. A produção iniciou através do Consórcio Verde Brasil, que foi uma iniciativa da Ecocitrus, Naturovos e Companhia de Gás do Rio Grande do Sul (Sulgás). Conforme o vice-presidente da Ecocistrus, Ernesto Kasper, resíduos como de esterco, restos de comida, lodos de cervejarias e leitaria, gerados por empresas e propriedades, vão para a usina e após misturados são colocados no biodigestor aonde é captado o gás metano. A partir daí pode ser utilizado não só como gás natural para veículos, mas também para energia elétrica e outras utilizados.

A Ecocitrus não comercializa o biogás. Em 2015 chegou a ser anunciado um edital para compra do combustível, mas depois foi adiado. No ano passado houve uma chamada pública da Sulgás para a compra do biometano. Mas até hoje o gás natural produzido em Montenegro, de cerca de 5 mil metros cúbicos, só é utilizado em veículos dos associados da cooperativa e empresas parceiras. Até ônibus e kombis são abastecidos. Mas faltaram investidores para que o GNVerde começasse a ser comercializado. “Os veículos rodam em média 16 quilômetros com um metro cúbico de biogás. É muito mais econômico, com uma autonomia de cerca de 200 quilômetros” diz Ernesto, que utiliza em seu automóvel. O custo médio do quilômetro rodado com GNV é de 17 centavos, enquanto com gasolina pode chegar a 36 centavos e com etanol 39. Então é menos da metade do preço. A instalação de um kit gás custa em média entre R$ 3,5 mil e 5 mil reais. E como são veículos flex, podem utilizar também gasolina e etanol em caso de necessidade.


Investimento de R$ 100 milhões
Agora o Governo do Estado, na última terça-feira, anunciou que uma empresa do Paraná pretende instalar em Montenegro uma usina de biogás. Um protocolo de intenções já foi assinado no Palácio Piratini, com a presença do governador José Ivo Sartori, representantes da empresa e do município. A empresa JMalucelli Ambiental prevê a instalação a partir de 2019, com a geração de energia e gases combustíveis a partir de resíduos orgânicos de origem vegetal ou animal (vindos das atividades agropecuárias). Com previsão de operação para 2020, a usina vai produzir biogás, biometano, CO2, biofertilizantes e energia termoelétrica. A construção será a cinco quilômetros do município, próxima ao Polo Petroquímico, utilizando materiais de menor impacto ambiental. A Central de Tratamento Integrado de Resíduos Orgânicos pretende gerar, em média, 35 mil metros cúbicos/dia de biometano; 40 toneladas/dia de CO2; 2 MWm de energia térmica e elétrica; e 4 mil toneladas/mês de biofertilizantes. "O empreendimento traz uma nova potencialidade energética como estratégia econômica, a partir de uma energia ambientalmente correta, demonstrando atitude inovadora", destacou o governador.

De acordo com o diretor da JMalucelli Ambiental, Eduardo Covas Barrionuevo, o Rio Grande do Sul é pioneiro na legislação ambiental para produção de biomassa. "Apesar das 16 mil plantas que operam na Europa, a produção de biogás é recente no Brasil. Aqui no Estado, vamos operar com produção em escala, com emprego tecnológico e sustentável", afirmou.

Participaram também do ato de assinatura do protocolo os secretários estaduais de Minas e Energia, Susana Kakuta; de Planejamento, Governança e Gestão, Josué Barbosa; da Fazenda, Luiz Antônio Bins; do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini; e do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Evandro Fontana; além do secretário municipal de indústria, comércio e turismo de Montenegro, Elias da Rosa, e a gerente de contratos e convênios, Cleusa Marca.

Elias destacou a oportunidade que envolve o município e a região em receber um projeto deste porte. Ainda não se sabe quanto gerará de empregos e impostos para o município. Mas é importante o fato do destino apropriado dos dejetos, que finalmente serão transformados em combustível que poderá ser comercializado, o que já acontece nos países desenvolvidos. Atualmente o Rio Grande do Sul é importador de gás natural da Bolívia.

O prefeito Kadu Müller, que nesta semana estava em Brasília na busca de recursos, acompanhou de perto toda a evolução da implantação deste projeto, desde sua origem. Ele lembra que as negociações com a JMalucelli iniciaram no ano passado. O local da instalação da usina ainda não está definido, mas deverá ser na margem da RS 124.

Segundo Ernesto Kasper, o projeto é uma articulação da Ecocitrus com a JMalucelli, aproveitando a tecnologia já utilizada na cooperativa montenegrina. Ernesto e Elias destacam o trabalho do professor Albari Pedroso, mentor do projeto e que estava presente na assinatura do protocolo de intenções no Palácio Piratini, representando a Ecocitrus.

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